Não sei exatamente com qual idade vou começar a universidade, só sei que estou passada dos 30 anos e que já sou mais velha que 99% dos universitários (apenas supondo aqui já que não tenho dados estatísticos precisos).
Pela minha experiência na faculdade anterior, um curso em período integral, tem em sua maioria, jovens adultos.
E lembro que na primeira faculdade, quando eu estava na "idade certa", eu sofria bullying por parecer mais velha e via alguns colegas que já eram mais velhos sofrer bullying por causa da idade.
E outra questão é que conversei com uma graduanda da universidade que eu pretendo entrar e, depois de perguntar minha idade, ela me bloqueou em todas as redes sociais. Além de antes, ela ter dito que eu deveria procurar alguém da pós, pois eles sim tinham a minha faixa de idade. Um comportamento que pode ser muito comum na universidade atual, afinal, ninguém gosta dos adultos "premium plus" ou "adultos-adultos mesmo".
Então, além de trazer minha experiência, resolvi fazer um comparativo com os estudos atuais sobre o etarismo nas universidades públicas.
A exclusão é tão comum que um estudo mostrou que a partir dos 40 anos, já é comum ter preconceito dos próprios professores, os quais acreditam que o aluno 40+ está ali "só para passar o tempo".
E acham que com a idade é comum perder autonomia, diminuir suas interações sociais e mais o surgimento de condições de saúde crônicas o que causa impacto direto no bem-estar psicológico. E boa parte desses problemas é um reflexo de como a sociedade enxerga e trata as pessoas, principalmente, as idosas.
Na percepção das pessoas mais jovens, a pessoa mais velha é vista como alguém inferior à elas porque as mais jovens são mais rápidas e mais hábeis para resolver algumas tarefas.
No Brasil, em 2024, ocorreu um episódio de etarismo com uma mulher de 40 anos por estar em uma universidade pública. As estudantes que fizeram bullying com ela só destacaram a agressividade de estudantes mais jovens com as pessoas mais velhas.
Além disso, sempre é divulgado que o envelhecimento traz a necessidade de maior tempo para se fazer as coisas que antes eram realizadas de forma mais rápida.
Tenho percebido que com a chegada da idade, tenho refletido mais do que escrito e as ideias vêm de forma mais lenta. Se isso ocorre na escrita, que é minha paixão mor, imagina quando envolver as temidas ciências exatas que a medicina veterinária exige.
Voltando aos estudos: as pessoas de mais idade costumam se anular em prol do bem estar das outras pessoas da família, criando um papel social que as anula.
No meu caso, eu me anulei por medo da saúde mental se precarizar com o tempo e de decepcionar meus pais e depender deles até que eles morram. Um papel que eu assumiria quando entrar em depressão profunda por ter me anulado a vida toda para me encaixar ao que eles querem de mim.
Outra questão importante para trazer à discussão é que as imagens negativas de envelhecimento são incutidas na sociedade por meio da linguagem, religião, literatura, mídia e práticas das instituições médicas e de serviços sociais, ou seja, a imagem de uma pessoa que vai perdendo suas capacidades com o tempo, inclusive intelectuais.
Mas, ao mesmo tempo que essas informações falsas são divulgadas, os próprios profissionais dizem que o mais importante na vida de uma pessoa é realizar seus sonhos e não agradar os outros.
E, por fim, quem deve decidir quais os limites, são as próprias pessoas, não os outros.
Depois de tantas leituras, pude perceber que sacrifiquei meu sonho por medo de decepcionar quem mais cuida de mim.
E esqueci que devo tomar as minhas próprias decisões e deixar para lá as expectativas dos outros sobre mim.
Fontes:
https://revistaft.com.br/a-saude-mental-do-estudante-diante-dos-episodios-de-etarismo/
Existe etarismo na USP? – Jornal do Campus
https://www.scielo.br/j/edreal/a/jMXGqNRw8dntJmvPScnLdnP/?lang=pt
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