31 de agosto de 2026

Quero ser veterinária: DESAFIOS --- Preparo Emocional: Etarismo na universidade pública

Não sei exatamente com qual idade vou começar a universidade, só sei que estou passada dos 30 anos e que já sou mais velha que 99% dos universitários (apenas supondo aqui já que não tenho dados estatísticos precisos). 

Pela minha experiência na faculdade anterior, um curso em período integral, tem em sua maioria, jovens adultos.

E lembro que na primeira faculdade, quando eu estava na "idade certa", eu sofria bullying por parecer mais velha e via alguns colegas que já eram mais velhos sofrer bullying por causa da idade.

E outra questão é que conversei com uma graduanda da universidade que eu pretendo entrar e, depois de perguntar minha idade, ela me bloqueou em todas as redes sociais. Além de antes, ela ter dito que eu deveria procurar alguém da pós, pois eles sim tinham a minha faixa de idade. Um comportamento que pode ser muito comum na universidade atual, afinal, ninguém gosta dos adultos "premium plus" ou "adultos-adultos mesmo".

Então, além de trazer minha experiência, resolvi fazer um comparativo com os estudos atuais sobre o etarismo nas universidades públicas.

A exclusão é tão comum que um estudo mostrou que a partir dos 40 anos, já é comum ter preconceito dos próprios professores, os quais acreditam que o aluno 40+ está ali "só para passar o tempo".

E acham que com a idade é comum perder autonomia, diminuir suas interações sociais e mais o surgimento de condições de saúde crônicas o que causa impacto direto no bem-estar psicológico. E boa parte desses problemas é um reflexo de como a sociedade enxerga e trata as pessoas, principalmente, as idosas.

Na percepção das pessoas mais jovens, a pessoa mais velha é vista como alguém inferior à elas porque as mais jovens são mais rápidas e mais hábeis para resolver algumas tarefas.

No Brasil, em 2024, ocorreu um episódio de etarismo com uma mulher de 40 anos por estar em uma universidade pública. As estudantes que fizeram bullying com ela só destacaram a agressividade de estudantes mais jovens com as pessoas mais velhas.

Além disso, sempre é divulgado que o envelhecimento traz a necessidade de maior tempo para se fazer as coisas que antes eram realizadas de forma mais rápida. 

Tenho percebido que com a chegada da idade, tenho refletido mais do que escrito e as ideias vêm de forma mais lenta. Se isso ocorre na escrita, que é minha paixão mor, imagina quando envolver as temidas ciências exatas que a medicina veterinária exige.

Voltando aos estudos: as pessoas de mais idade costumam se anular em prol do bem estar das outras pessoas da família, criando um papel social que as anula.

No meu caso, eu me anulei por medo da saúde mental se precarizar com o tempo e de decepcionar meus pais e depender deles até que eles morram. Um papel que eu assumiria quando entrar em depressão profunda por ter me anulado a vida toda para me encaixar ao que eles querem de mim. 

Outra questão importante para trazer à discussão é que as imagens negativas de envelhecimento são incutidas na sociedade por meio da linguagem, religião, literatura, mídia e práticas das instituições médicas e de serviços sociais, ou seja, a imagem de uma pessoa que vai perdendo suas capacidades com o tempo, inclusive intelectuais.

Tal visão é marcada pelo etarismo que é um conjunto de crenças, atitudes, suposições e estereótipos negativos sobre a idade –, usado para apoiar comportamentos discriminatórios que marginalizam (ou seja, excluem e criam estereótipos equivocados) os adultos mais velhos.

Mas, ao mesmo tempo que essas informações falsas são divulgadas, os próprios profissionais dizem que o mais importante na vida de uma pessoa é realizar seus sonhos e não agradar os outros.

E, por fim, quem deve decidir quais os limites, são as próprias pessoas, não os outros.

Depois de tantas leituras, pude perceber que sacrifiquei meu sonho por medo de decepcionar quem mais cuida de mim. 

E esqueci que devo tomar as minhas próprias decisões e deixar para lá as expectativas dos outros sobre mim.

 


 

 

 

Fontes:

https://revistaft.com.br/a-saude-mental-do-estudante-diante-dos-episodios-de-etarismo/

Existe etarismo na USP? – Jornal do Campus 

https://www.scielo.br/j/edreal/a/jMXGqNRw8dntJmvPScnLdnP/?lang=pt

https://g1.globo.com/google/amp/pi/piaui/noticia/2023/03/15/aos-69-anos-estudante-de-jornalismo-fala-dos-desafios-de-cursar-universidade-especialista-fala-sobre-beneficios.ghtml

https://cnte.org.br/noticias/o-etarismo-e-prejudicial-para-educacao-como-qualquer-outra-forma-de-preconceito-aa67/amp

25 de agosto de 2026

Proveito

 Algumas pessoas tiraram proveito do corpo de D’, estirado no chão, nu e cru, como peixe morto. Aproveitam que ela não conseguia se mover. E, depois do proveito, urinavam, cuspiam e falavam balbúrdias a respeito dela
– Ela é muito fácil. Não se move…
– Ela fede.
– É pútrida.
E ela nada podia fazer. Era apenas um corpo caído ao chão sem poder mover-se como antes. Como sentia saudades de quando era mais que um corpo. De quando era espírito livre. De quando era sideral.

24 de agosto de 2026

Perdida

 Não consigo me mover. É como se eu não soubesse mais andar ou fazer qualquer outro movimento.
Ouvi risadas e comentários maldosos.
– É essa aí a sobrevivente da Era Mar Aberto? Então eu sou um tipo de herói que ninguém reconhece.
– Ela não deveria ser uma lenda? Parece perdida…
Eu não consegui reagir para dar uma má resposta. Era como se eu fosse apenas cérebro, sem nada que o expressasse para o lado de fora.
– Vamos apelidá-la de Perdida. É o que ela merece.

21 de agosto de 2026

Era Beira Mar

Sejam bem-vindos à era Beira Mar: a era parada, da

astronauta que não se move! Como grão de areia, ela

pertence à praia,

mas não está propriamente lá, está completamente separada

do mar, em contato direto com o Sol, que queima o que restou

dela.

Bem vindos à cor laranja! A qual tem o potencial de revolta e

paixão do vermelho e de brilho e positividade do amarelo,

mas não dá a mínima para nenhum deles, pois parecem

muito

mais distantes da realidade dela do que sempre estiveram.

O laranja não pede para segui-lo , nem força a positividade.

Ele é a cor da areia de praia. Ele sabe que é insignificante

assim

como todos os outros grãos de areia, mas insiste em existir

porque sabe que vidas dependem da dele.

D’ ou D- sobreviverá à nova saga ou será seu fim?

Inspirada em sentimentos vívidos e vividos após a

minha saída da faculdade, a Era Beira Mar tem muito mais

além de meras metáforas. Ela é a metáfora mais importante do

meu período em depressão. Tratem-na com carinho e com

a devida atenção!

20 de agosto de 2026

Mar Aberto está no wattpad!!!!

Mais uma era chegou ao fim: Mar Aberto.
E como todo final de era, ela foi publicada no Wattpad para ficar mais organizada.
A próxima era vem aí: Era Beira Mar. A nossa astronauta D' ou D- está na praia, completamente imóvel, enquanto a vida lá fora continua normalmente, sem notarem ela.
Será que ela vai se levantar?
Acompanhe na era Beira Mar!!!!
Link para Mar Aberto: Clique Aqui

19 de agosto de 2026

Epílogo

Nossa querida astronauta D’ ou D- caiu em uma praia, a Era Beira Mar. 
Espero você nas próximas eras

17 de agosto de 2026

Asas para uma suína


Vejo você voar

Tal qual uma suína em pleno ar

Eu no chão

Encarando a situação

Você nunca deveria ter me amado

Eu deveria ter me perdoado

Poderia ser eu em pleno ar

Mas pelo canto da sereia me deixei levar

Pérfida e profunda

És obtusa

A mais cruel das minhas musas

De sangue frio você me inunda

E como lagartinha

As folhas, eu tinha

Mas eu decidi voar

Sem nem em borboleta me transformar

Espatifei no chão

Suas gargalhadas eu ouvi, em vão

Não consegui me levantar

E você não quis me ajudar

Você, ocupada, vivendo

Eu, em vão, morrendo

Já quis voar como você

Mas temi ser suína e esquecer

Que eu precisaria de asas

E como um satélite de carne, observar as casas

Das quais nunca participarei

As mesmas que, em pensamento, destruirei

Ao voar, tente não cair

Tente apenas subir

Ou quem vai rir serei eu

Sempre à espreita de um erro seu

Em meu sonho febril

Contemplo a natureza

Do que nunca existiu

Da minha doença, a beleza

Uma poesia

Quem diria!

A medrosa donzela

Escreveria uma bela

Com emoções sangrentas

Em manhãs opulentas

Lá vai a suína, a bela e a fera

E eu a espera

Oferecendo um braço

Que eu ainda caço

Uma presa

Uma chama acesa

Um braço robótico

Que exótico!

Vejo você voar

E eu a afundar

Em pleno oceano

Vejo o passar do ano

Ou eu me renovo

Ou eu me afogo

E, com palavras feias e vãs

Tento me manter sã

Com os dedos em chama, eu imploro

Com lágrimas de sangue, eu choro

E assim, a gente vê

Que eu ainda não esqueci você

(E não sei se quero esquecer)

24 de julho de 2026

Quero ser veterinária

 Começo essa coluna com as minhas expectativas em relação ao meu futuro: quero ser veterinária. Não quando crescer, porque, bem, eu já cresci bastante. O suficiente para tomar as minhas próprias decisões.

 Não foi uma decisão espontânea. Tenho planejado desde o ensino médio, mas me convenceram de que "não dá dinheiro", então resolvi seguir por outro caminho que era pior ainda em termos de emprego, já que não dava muita opção além de fazer pós graduação e ser professor universitário. Não sou ingrata ao que aprendi lá, muita coisa eu uso até hoje!

Só digo que a faculdade e o curso em si, mesmo naquela época, não fizeram sentido algum para mim.

Só adiei meu sonho de cursar Medicina Veterinária por medo de passar por certas coisas novamente.

Agora só preciso planejar como vou estudar para o vestibular, me preparar para enfrentar as Exatas e conseguir me manter financeiramente e emocionalmente. Com a outra faculdade, eu vi que preciso de planejamento inclusive emocional.

Então, me dei esse espaço de presente para me preparar, seja com matérias relevantes que possam me ajudar a passar no vestibular e até matérias importantes para meu preparo emocional.

Espero que seja bem útil e bem aproveitado!  

Soterro

Aqui eu soterro postagens
E excluo certas mensagens
De pessoas que foram embora
Porque assim decidiram outrora

É aqui que eu sinto
E me permito sentir
Enquanto não sair
Desse eterno labirinto

Em qual lugar me enfiei?
Não sei mais para onde irei
Meu blog, meu rastelo
Meu universo, meu castelo

Já fui muito para quem foi pouco
Já fui aquele poeta louco
Noites sem dormir
Vida sem agir

Já sofri
Já sorri
Já me feri, me censurei
Já corri e me encontrei

E na poesia agora me escondo
Em versos intensos, me encontro
Não sei rimar
Não sei remar
Não sei viver
Só sei que não quero morrer

Temo a morte como temo a vida mal vivida
Se um dia já tive vida sem V-I-D-A eu não sei
Só lembro de coisas passageiras e a ferida
Que um dia me deixaram quando amei

Chega de sofrer
E de escrever
Sobre quem não importa
E fechar a porta
Desse coração que só sofreu
Desse sentimento que um belo dia, morreu
Não deixou herança
Não deixou lembrança
Deixou um eterno nada
E uma longa estrada
Que vou, com todas as forças, andar
Quando esse poema acabar.

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