16 de setembro de 2026
Convite
15 de setembro de 2026
Sobrevivente
8 de setembro de 2026
Estrelas-do-mar
Enquanto D’ ou D- ou Perdida estava no chão aguardando o rumo que sua vida tomaria a partir dali, a vida continuava. O Sol ardia, os banhistas estavam no mar e as crianças brincavam. Tudo normal. O sofrimento estava apenas dentro dela. O tempo não passava apenas para ela.
As crianças em volta continuavam rindo, correndo, cavando buracos.
D’ ou D- recordou-se dos buracos que cavava na praia. Era cada um que impressionava os turistas e os fazia olhar para ela. Notá-la. Como ninguém fez.
As estrelas-do-mar debocharam dela, pois estava imóvel, enquanto elas mesmas caminhavam entre areia e mar, sempre respirando com força e vontade e sendo levadas.
D’ ou D- abriu um sorriso por dentro da máscara de astronauta. Imperceptível por pessoas que a olhavam do ângulo de fora.
31 de agosto de 2026
Quero ser veterinária: DESAFIOS --- Preparo Emocional: Etarismo na universidade pública
Não sei exatamente com qual idade vou começar a universidade, só sei que estou passada dos 30 anos e que já sou mais velha que 99% dos universitários (apenas supondo aqui já que não tenho dados estatísticos precisos).
Pela minha experiência na faculdade anterior, um curso em período integral, tem em sua maioria, jovens adultos.
E lembro que na primeira faculdade, quando eu estava na "idade certa", eu sofria bullying por parecer mais velha e via alguns colegas que já eram mais velhos sofrer bullying por causa da idade.
E outra questão é que conversei com uma graduanda da universidade que eu pretendo entrar e, depois de perguntar minha idade, ela me bloqueou em todas as redes sociais. Além de antes, ela ter dito que eu deveria procurar alguém da pós, pois eles sim tinham a minha faixa de idade. Um comportamento que pode ser muito comum na universidade atual, afinal, ninguém gosta dos adultos "premium plus" ou "adultos-adultos mesmo".
Então, além de trazer minha experiência, resolvi fazer um comparativo com os estudos atuais sobre o etarismo nas universidades públicas.
A exclusão é tão comum que um estudo mostrou que a partir dos 40 anos, já é comum ter preconceito dos próprios professores, os quais acreditam que o aluno 40+ está ali "só para passar o tempo".
E acham que com a idade é comum perder autonomia, diminuir suas interações sociais e mais o surgimento de condições de saúde crônicas o que causa impacto direto no bem-estar psicológico. E boa parte desses problemas é um reflexo de como a sociedade enxerga e trata as pessoas, principalmente, as idosas.
Na percepção das pessoas mais jovens, a pessoa mais velha é vista como alguém inferior à elas porque as mais jovens são mais rápidas e mais hábeis para resolver algumas tarefas.
No Brasil, em 2024, ocorreu um episódio de etarismo com uma mulher de 40 anos por estar em uma universidade pública. As estudantes que fizeram bullying com ela só destacaram a agressividade de estudantes mais jovens com as pessoas mais velhas.
Além disso, sempre é divulgado que o envelhecimento traz a necessidade de maior tempo para se fazer as coisas que antes eram realizadas de forma mais rápida.
Tenho percebido que com a chegada da idade, tenho refletido mais do que escrito e as ideias vêm de forma mais lenta. Se isso ocorre na escrita, que é minha paixão mor, imagina quando envolver as temidas ciências exatas que a medicina veterinária exige.
Voltando aos estudos: as pessoas de mais idade costumam se anular em prol do bem estar das outras pessoas da família, criando um papel social que as anula.
No meu caso, eu me anulei por medo da saúde mental se precarizar com o tempo e de decepcionar meus pais e depender deles até que eles morram. Um papel que eu assumiria quando entrar em depressão profunda por ter me anulado a vida toda para me encaixar ao que eles querem de mim.
Outra questão importante para trazer à discussão é que as imagens negativas de envelhecimento são incutidas na sociedade por meio da linguagem, religião, literatura, mídia e práticas das instituições médicas e de serviços sociais, ou seja, a imagem de uma pessoa que vai perdendo suas capacidades com o tempo, inclusive intelectuais.
Mas, ao mesmo tempo que essas informações falsas são divulgadas, os próprios profissionais dizem que o mais importante na vida de uma pessoa é realizar seus sonhos e não agradar os outros.
E, por fim, quem deve decidir quais os limites, são as próprias pessoas, não os outros.
Depois de tantas leituras, pude perceber que sacrifiquei meu sonho por medo de decepcionar quem mais cuida de mim.
E esqueci que devo tomar as minhas próprias decisões e deixar para lá as expectativas dos outros sobre mim.
Fontes:
https://revistaft.com.br/a-saude-mental-do-estudante-diante-dos-episodios-de-etarismo/
Existe etarismo na USP? – Jornal do Campus
https://www.scielo.br/j/edreal/a/jMXGqNRw8dntJmvPScnLdnP/?lang=pt
25 de agosto de 2026
Proveito
Algumas pessoas tiraram proveito do corpo de D’, estirado no chão, nu e cru, como peixe morto. Aproveitam que ela não conseguia se mover. E, depois do proveito, urinavam, cuspiam e falavam balbúrdias a respeito dela
– Ela é muito fácil. Não se move…
– Ela fede.
– É pútrida.
E ela nada podia fazer. Era apenas um corpo caído ao chão sem poder mover-se como antes. Como sentia saudades de quando era mais que um corpo. De quando era espírito livre. De quando era sideral.
24 de agosto de 2026
Perdida
Não consigo me mover. É como se eu não soubesse mais andar ou fazer qualquer outro movimento.
Ouvi risadas e comentários maldosos.
– É essa aí a sobrevivente da Era Mar Aberto? Então eu sou um tipo de herói que ninguém reconhece.
– Ela não deveria ser uma lenda? Parece perdida…
Eu não consegui reagir para dar uma má resposta. Era como se eu fosse apenas cérebro, sem nada que o expressasse para o lado de fora.
– Vamos apelidá-la de Perdida. É o que ela merece.
21 de agosto de 2026
Era Beira Mar
Sejam bem-vindos à era Beira Mar: a era parada, da
astronauta que não se move! Como grão de areia, ela
pertence à praia,
mas não está propriamente lá, está completamente separada
do mar, em contato direto com o Sol, que queima o que restou
dela.
Bem vindos à cor laranja! A qual tem o potencial de revolta e
paixão do vermelho e de brilho e positividade do amarelo,
mas não dá a mínima para nenhum deles, pois parecem
muito
mais distantes da realidade dela do que sempre estiveram.
O laranja não pede para segui-lo , nem força a positividade.
Ele é a cor da areia de praia. Ele sabe que é insignificante
assim
como todos os outros grãos de areia, mas insiste em existir
porque sabe que vidas dependem da dele.
D’ ou D- sobreviverá à nova saga ou será seu fim?
Inspirada em sentimentos vívidos e vividos após a
minha saída da faculdade, a Era Beira Mar tem muito mais
além de meras metáforas. Ela é a metáfora mais importante do
meu período em depressão. Tratem-na com carinho e com
a devida atenção!