Movimentando minhas mãos, reflito sobre quanto tempo valioso eu desperdicei na frente de um celular.
Eu tinha sonhos, energia e muita vontade de viver.
Agora é tudo contado, cronometrado e muito tempo é desperdiçado com tão pouco…
Vejo a vida passar através das telas daquelas que se dizem minhas amizades, mas que nunca me pertenceram. Nunca mais as vi e provavelmente nem as verei.
Fui ingênua de acreditar naquelas amizades “para sempre” de filmes infantis.
E agora nem o celular está aqui para me levantar. A tecnologia não alivia meu sentimento de solidão e de abandono.
No final, sou só mais uma astronauta solitária e abandonada na órbita. No que eu acredito ser a órbita, porque nem tudo e nem todos fazem parte dela. Sou só eu e meu ego inflado de escritora, aguardando uma publicação de meus relatos inúteis e infantis de uma vida mal vivida.
Se hoje Beira Mar se entrelaça ao Domingário de Lágrimas e ao Lá vem vocês, é porque meu ego inflado confiou demais nos movimentos de dedos de uma certa astronauta caída à beira do mar.
Nunca foi sobre liberdade. Foi sobre resistência.
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