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18 de fevereiro de 2023

Pungente e desnecessária

 Lá vai ela, pleno Carnaval

Desnecessária, pungente e carnal

Ela que não sabe o que faz

Não sabe o que diz

Nem sabe para onde irá depois do Carnaval

Ela segue, segue e torna a seguir

Sem direção ou abraço de namorada

É ela, a desnecessária

Seu nome é dor

Apelido desespero

E ela gosta de vir para meu desassosego

Oh, sim! Abraços de namorada, ela é bissexual

Apaixonada pela escuridão, de olho no medo

Vesga como joaninha

Cega como medusa

Ela transforma-se quando quer

Nome dor

Sobrenome solidão

Lá vai ela, meus amores, lá vai ela

Pungente e desnecessária

Torturante como o tédio

Quebrante como o caos

Tatuada com o limbo

Bissexual como as piranhas

A devorar sem enxergar

Toda a maldade que causara

E que ainda vai causar

Lá vai ela!

8 de junho de 2021

Cadeiras

Há cadeiras confortáveis pelo caminho. Desconfortáveis e elétricas também. Tantas cadeiras que sobra pouco espaço para andar.
Desviar delas é um processo tão lento que é mais fácil sentar nas mais confortáveis e ir andando assim, sentando de cadeira em cadeira, de preferência as mais macias.
O tempo começa a correr, de forma que sobra pouco tempo para chegar ao objetivo final. E o que estou fazendo? Sentada, experimentando cadeiras, ao invés de correr e tentar alcançar o meu objetivo.
O tempo passa mais rápido quando estou nas cadeiras mais confortáveis. E mais devagar, quando me disponho a andar o mais rápido possível entre os espaços que sobraram. Acho que é porque os pequenos espaços machucam meus joelhos e tenho de ser mais cuidadosa.
E se eu correr sob as cadeiras? Certamente cairei, porque elas não são fixas ao chão. Elas balançam e caem. Além de que na correria, vou acabar pisando nas cadeiras desconfortáveis e nas elétricas. Acho que não será uma boa experiência.

15 de setembro de 2014

Justificativa.

Me traumatize. Estrangule. Esmague meu crânio. Coma meu cérebro. Arranque minhas tripas e com elas, faça cordas para as crianças brincarem.
Use minha pele para fazer tambor. Batuque as canções que insisto em escrever. Use meu cabelo para fazer chá. Faça dos meus olhos, bolinhas de gude, daquelas que nenhuma criança quer usar para brincar.
Faça um colar de pérolas com todos os meus dentes. Diga que sou autora de todos os acidentes. Ordene que sua amada use minhas unhas. Faça do meu nariz, o seu copo, e tome, apenas tome.
Pisoteie meus rins. Faça vinho com todas as minhas vísceras. Venda minha gordura corporal. E se sobrar algo: queime. Sem dó, nem piedade.
Apenas faça. Isso é uma ordem. Mando em você. Se tiver medo de ser julgado, mostre o que acabei de escrever. Viram? Foi tudo a meu mando. Ele é só um escravo, um pobre coitado, que faz o que eu quero, sempre que mando. E aquela é a ambulância atropelando ele, e impedindo que siga todo o procedimento experimental.
Não se preocupe. Eu acho outro. Tão tolo e submisso quanto.

13 de setembro de 2014

Raiva e essas coisas todas.

O que me inspira é a raiva. Me irrite e transformo meu ódio em algo produtivo. Às vezes dedico meus versos livres para alguém que odeio. Chamo de querido(a), amor, etc. Não sei o que me dá.
Quero que pegue fogo na sua cara e te deforme, deixando você parecido comigo, para que passe pelos dramas que passei. Para que as coisas na sua vida comecem a não dar certo, porque você será feio e completamente desprezível.
Me pergunto: porque esse ódio todo? Você fica cada vez mais feliz, quanto mais audiência te dou. Você fica cada vez mais sortudo, bonito, etc. E eu? Nada na minha vida muda.
Vou invejar em silêncio. No privado. Para quê odiar alguém, quando posso amar as coisas que as pessoas fazem e as coisas que eu faço?
Quero que você tenha todo o prestígio que deseja. Esqueça o "Incêndio". Esqueça meu ódio.
Para quê tanto ódio e rancor? É injusto ser uma azarada, mas desejar que as pessoas peguem um pouco do meu azar, é pior ainda. Muito mais doentio. E nada poético.

Deixe tudo

Deixe o sol queimar sua pele, com a mesma facilidade que o fogo queima as folhas de seu jardim. Deixe as pedras atingirem seu rosto, com toda força e precisão.
Deixe-as perfurarem seu rosto. Abra suas mãos, permita que sejam perfuradas também.
Encare de peito, seja perfurado, totalmente perfurado. Apenas deixe tudo perfurar seu todo.
Você não tem que enfrentar, se não quiser.
A única coisa que digo é: se mantenha em pé. E todas as pedras que te perfuram hoje, continuarão.
Nada vai parar porque você quer. Você não estará mais forte. O sol não vai deixar de queimar sua pele e as pedras não deixarão de te perfurar. Não se iluda.
Você só ficará menos dramático. Só isso.

30 de agosto de 2014

Matando sonhos

Acordei com uma metralhadora
Vou matar todos esses sonhos
Esses filhos-da-putas ilusórios que só servem para trazer aquela felicidade boba e falsa.
Pior que os sonhos, só aqueles inúteis que ficam falando que viemos à vida para ser feliz. 
Acorda um pouquinho, não precisa muito: não temos objetivo nenhum na vida. Os objetivos vão se criando, e as metas vão sendo alcançadas sem se perceber.
Felicidade é aquele negócio que a gente sente quando cada pequena meta é cumprida. 
Felicidade é: nada disso que eu disse aqui, quem sou para definir?
Joguei uma dinamite na manhã de sábado e na madrugada
Feriado pra quê? Vai embora pro lixo também
Fique naquela pilha de mortos
Vou colocar fogo em tudo! 
Sonhos não dão dinheiro, só frustração.
Vou sonhar quando estiver dormindo
E ficar feliz quando acordar, lembrar deles e começar a ganhar dinheiro com isso.
Sonhos são para a televisão, aquelas produções bobas e infantis
Para aquelas crianças bobas que mal sabem o que a vida guarda para elas
Vai sonhar para lá!

18 de agosto de 2014

Vendo minha alma

Quero vender a minha alma
Porque não serve para nada
Você não precisa ser o capeta
Ou um demônio qualquer
Apenas me diga quanto pagaria por minha alma
Faço até promoção
Leva isso embora daqui
Porque só serve para me fazer triste
Quando eu deveria sorrir
Sorrir sem motivo
Mas a minha alma me atrapalha
Melhor sem ela
Do que sofrendo a toa
Por qualquer pessoa ou qualquer gosto
Leve de brinde esse encosto
Que insiste em me apedrejar
Leve toda minha sensibilidade
A partir de hoje, só uso a razão
O resto vai tudo para um leilão.

17 de agosto de 2014

Queria tudo isso

Queria encontrar aquela garota inocente
Que sorria, mesmo quando não tinha um dente
A qual levava a acreditar
Que tudo é sonho a se realizar
Sabe a sorte de topar com alguém
Não importa quem
Desde que nos faça sentir
Como se fosse possível rir
De tudo o que vida tem a não oferecer
Mesmo quando isso nos faz sofrer
Queria aquelas músicas e sensações de volta
O espírito de revolta
A vontade de mudar uma nação
Com honra, coragem e coração
Queria os amores inalcançáveis
E as feridas detestáveis
Queria uma canção
Versos bobos, sem razão
Queria aquelas velhas rimas escritas sem saber porquê
E um dia sei que vou querer
Ser quem eu fui hoje, sempre a pensar
Que queria ser alguém que já não vai mais voltar.

16 de agosto de 2014

Orgulho monstro

Eu me tornei um monstro
Não por influência de alguém
Mas por mim mesma
Porque sim, sai daqui
Nunca ouviu falar em ter orgulho ?
Orgulho de ser um monstro! Orgulho monstro!
Posso destruir tudo e esmagar quem estiver em meu caminho
Você, inclusive
Sim, você que está lendo isso agora
Por que? Porque sim, perdi o medo de destruir pessoas
Adorei ver alguém ser destruído por minha influência
Vou fazer você se arrepender por todas as vezes que respirou
Todas as vezes que sentiu prazer em ser mal
E sempre que falou de alguém
Não importa quem
Pelo mal ou pelo bem
Você é destrutível
E eu tenho tudo o que preciso
Até um coração, caso eu resolva amar alguém por alguns segundos
Meu ódio provém do mundo
Não precisa de motivos
Se quer mesmo que eu justifique: é divertido! Vou fazer isso sempre!

8 de agosto de 2014

Isso você sabe

Você sabe como é estar em uma prisão. Já esteve lá. Não por crimes contra a humanidade, mas por crimes contra si mesmo. Na verdade, você foi preso injustamente.
Para sair da prisão, é só ter boa conduta. Então sua pena é reduzida. E você realmente acredita nisso. Melhor conduta, impossível. Então, você briga consigo mesmo, e tenta se separar. Sua pena é aumentada. Cada vez mais.
Boa conduta é história. E você está ali novamente. Preso por crimes que você nem cometeu, mas que poderia ter cometido. Preso por brigar com você mesmo. Preso sem saber porquê.
Algumas vezes, chamam isso de crimes invisíveis. Mas eu prefiro chamá-los de crimes inexistentes. Porque foi você que os criou. Algo invisível, existe, só não pode ser visto. Ou pode, com a ajuda de um microscópio ou lupa. Algo inexistente, não.
Pode ser só coisa da sua cabeça. Algo de que você se culpa. Alguma desculpa que tenha dado a si mesmo. Pode ser uma grande brincadeira. Coisa da sua cabeça. Pode ser tudo, menos algo bom.

30 de julho de 2014

Incêndio.

Não guardo rancor. E nem remorso. Quero que você esteja bem o tempo todo, sempre feliz e cantando, esbanjando a alegria que é o seu viver. Quero que chova nas manhãs em que você pode dormir até a hora que quiser. E que se levante em uma manhã de sol, faça tudo o que a vontade permitir.
E todos aqueles planos para as férias, darão certo para você. Assim como todas as palavras que você sempre quis dizer, mas não saíram. Tudo o que você queria que acontecesse, vai se concretizar.
Um dia, em uma bela manhã de sol, você vai acordar, sorrindo, cantando, esbanjando felicidade. Um caminhão em chamas invadirá sua calçada, passará por cima de você, destruirá a sua casa e causará um incêndio. O incêndio do remorso, do rancor e da contradição. 

8 de julho de 2014

A sorte

Quero nascer de novo
Desta vez, na terra da sorte
Onde a morte é apenas aventura de quem se foi primeiro
Queria que o mundo estivesse às minhas mãos
Para controlar cada segundo da minha vida, sem ter que me importar
Com os erros que possam ocorrer, ou com o que vão de mim pensar
Queria a sorte de nascer em um país inventado
Desses que sequer tem um estado
São tão livres que nem se sabe onde estão
Livres como pássaros
Você quer ser um pássaro também?

7 de julho de 2014

Meu inferno astral

Você não sabe o que diz, pois não sabe quem é
Se põe a criticar o que não se arrisca a fazer
Já disse que essas frases são apenas frases desconexas
E que rima é pura vaidade de quem não gosta de escrever
De quem quer ser admirado e receber o título de poeta
Sou livre de rótulos e de títulos
Sou livre até de qualquer coisa que você venha a pensar
Esse é o meu mundo verbalizado
Lar do meu inferno astral
Se você não gosta do que lê aqui
A porta da razão te espera lá fora
Bem longe de mim.

A um adulto

Só sabe reclamar
Sem se levantar
Para encarar os problemas e dizer: Sou muito maior do que você!
Está ocupado demais, olhando para quem não se importa
E reparando cada gesto, julgando cada expressão
Mas na verdade você não se importa também
Não adianta fazer cara de mau, se os problemas ainda estão ali
Olhando para você, rindo
Você é um trouxa
Seu espelho mente para você
Seu cérebro mente mais ainda, porque quer que você acredite que há algo de inteligente em ser quem você é
Você não aprendeu o suficiente, não queira se enganar
Você não é nada, fique quieto e se coloque a aprender tudo
Aprenda antes que o mundo gire e cada vez você saiba bem menos
Aprenda antes que sua memória enfraqueça e sua vista escureça
Se jogue no mar de informações, e se alguma te afogar, nade contra a maré
Se deixe afogar no mar das decepções, mesmo quando não te leva a lugar algum, você acaba chegando a algum lugar
Quem disse que o tempo é o senhor da razão? Corra contra ele, agora quem manda é você
Siga seus próprios conselhos, guarde para você e cante uma canção, mas em silêncio
Diga que o tédio não existe porque você não tem tempo para isso
Invente que cada canção é um tempo perdido, desperdiçado
Crie seu próprio modo de falar, dessa forma forçada que todo mundo faz
Assista a televisão e viva um personagem de lá ou não terá com quem conversar
Para quê preservar memórias boas? Elas não servem para nada. Fique só com as úteis.
Você não precisa ser feliz, precisa apenas de dinheiro. Ser rico de dinheiro é o que importa.
Não faça nada do que vai se arrepender depois. Não deixe de fazer nada.
Esqueça o amor, alimente sua vaidade, escolha a pessoa mais bem visível aos olhos humanos e lute por ela, se você ama alguém diferente dela, esqueça a pessoa. Pessoas feias, não merecem seu amor.
Orgulho e arrogância não são tão ruins quanto parece. Fazem parte do que você é, e você se ama, correto?
Seja orgulhoso e arrogante, passe por cima de todos, critique tudo, não ame ninguém. Cresça, amadureça, seja adulto!

29 de julho de 2013

Adeus, rebeldia. Foi bom te conhecer.

Aquele sorriso estranho estampado, tatuado naquele rosto sem vida e sem um mínimo de graça.
Aquela boca torta, toda machucada pela língua afiada de quem não tem nada. pra dizer.
E os dentes amarelos, pequenos e estreitos, tortos e sem espaços comuns.
Então, me diz, se não tem motivos, para quê sorrir tanto? Onde está a leveza da falta de bons motivos?
E a pureza que só seu rosto alegre traz, a sensação de paz?
Mudar não é algo bom, quando se tem que disfarçar as mágoas, com um sorriso falso.
Mude novamente, mas mude pra ser feliz. Mude pra ser quem você era antes de todo esse processo de disciplina.
Sua rebeldia era tudo o que você tinha. Sem ela há apenas sombras, apenas marcas apagadas, apenas borracha gasta e uma ponta de lápis gasta. E uma nuvem nefasta, prestes a se apropriar de tudo o que lhe resta: sua face única e aquele jeito de falar.
Fica difícil imaginar, mas você não anda, não respira, não fala, não faz nada. Não sabe nada.

27 de julho de 2013

Não olhe agora, você está olhando para você

Não olhe agora, mas aquele você está olhando para você com cara de quem está a fim de te jogar do abismo, tacar fogo, jogar pedras e fazer cair neve para ter certeza de que você morreu.
Cadê a diferença? A indiferença? A malevolência? Cadê você quando você sente sua falta?
Cadê sua inocência? E a clareza? Cadê seu outro você que faz você sentir tanto a sua falta?
Fora os sorrisos diários que estão guardados debaixo do clarão na fonte com um montão de folhas arrepiadas.
Você nunca está lá para você, quando você precisa. Você está ocupado demais para ouvir você reclamar dos seus problemas. Você está ocupado demais para ouvir você sorrir quando está feliz. Você está vazio demais para estar em qualquer lugar em que você esteja. Você não está onde você está.

2 de fevereiro de 2012

Texto que não deve ser lido.

Estou escrevendo porque não sei expressar exatamente o que estou sentindo nesse momento. Feliz? Não. Triste? Somente o olhar. Ansiosa? Não. Espero que um dia eu consiga colocar sentindo em apenas uma palavra do que escrevo. Porque há gente que interpreta errado tudo que digo ou escrevo, então eu gostaria de dizer a essas pessoas que odeio indiretas e nunca as usarei para ninguém. Eu escrevo pra quem quiser ler, se não quer ler, obviamente não procure o que eu escrevo. Procure o que te faz bem. Não sei dar títulos à textos, porque eu sei apenas o que vou escrever, mas de um momento a outro esqueço, apago e escrevo de novo. E de novo, e de novo. Até que eu considero que está bom, afinal se sou tão pessimista e detalhista, acredito que no fundo, no fundo eu não saiba o que estou escrevendo. E até o final desse texto, já deixo avisado que estou apenas escrevendo e não vou ler, porque sei que este texto não será util para ninguém, nem para mim. Não tenho orgulho de nada do que escrevo aqui, porque orgulho é coisa de gente que acha que tudo está bom, e eu acho que tudo está ruim. Não sei se devo confessar que eu estou escrevendo de olhos fechados, já que é apenas uma metáfora que resolvi escrever rapidamente. A confusão toma conta de mim e eu quero que ela vá confundir pessoas mais confusas que eu. Não estou filosofando ou refletindo, é apenas uma  tremenda falta do que fazer, ao ter o que fazer.