Postagem em destaque

Mapa do Blog

Mostrando postagens com marcador Came Out. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Came Out. Mostrar todas as postagens

20 de março de 2024

Passarinho azul

 Adeus, passarinho, adeus

Não me canso de escrever cartas

Despedidas para cá

E para lá

Como o balanço de um navio

E canções de amigo

Adeus, passarinho, adeus

Como era bom usar palavras minhas em espaços seus!

E como a nostalgia vai me consumir...

Vai arder como chamas em árvores secas

E, assim, sem contato contigo, passarinho, eu também secarei

Se for pelo meu bem, meu amigo, será necessário

Foi-se um ano, um bem caótico

Mas, ei! Olhe o relógio!

É hora de ir, passarinho, tal qual o coelho de Alice:

Apressada, sem rumo e sem destino.

Adeus, passarinho, adeus.

8 de abril de 2022

Pobre e Inconstante

Sigo com você, pobre e inconstante
Quase que por um instante
Esqueço tudo ou quase tudo
Todo mundo e até o mundo
Em um segundo ou bem mais que um segundo.
Você vem e vai, muitas vezes sem dizer adeus.
 Quando diz, falta algo.
 Quando não falta, é porque não volta.
 E quando volta, traz consigo outro você, 
Diferente de quem eu acreditei conhecer.
 Será você sempre o mesmo e eu outro alguém?
 Serei eu  inconstante?
Tão pobre de espírito sou eu, nem ao menos consigo reconhecer 
O quão inconstante consigo ser  
Sou mais hipócrita do que conseguia prever.
Você merece continuar o seu plano de conquistar o mundo
Assim, sozinho, com seu talento. 
E eu tenho a obrigação de continuar aqui
Sozinha, com a minha inconstância.
Somos dois inconstantes,
 Embora eu tente lhe privar de sê-lo.
A partir de hoje, deixo você ser  inconstante, 
Desde que nunca seja inerte.


Este texto não expressa uma realidade minha, ele apareceu em um sonho e achei interessante trazê-lo para a realidade. Talvez tenha uma mensagem.

16 de dezembro de 2018

Saindo do trilho

Seu trem me atropelou. Me atropelou e eu fiquei.
Não sei porque não vou.
Não que eu não queira ir, quero mesmo, não quero mais ficar.
Mas seu trem me atropelou e eu, ainda confusa, fiquei.
Quantos daqueles textos sobre pessoas passageiras devo ler até passar um novo trem?
Há quanto tempo mais nada trafega nessa ferrovia?
Pertenço eu a outra estação?
Me ponho a caminhar, a procura de outro caminho, mas seu trem sempre está lá, pronto para me deixar esmagada, esperando ajuda, socorro, que nunca virão.
Seu trem não para. Nem quando provoca acidentes. Seu trem continua, sempre para frente. Nunca tem volta.
Seu trem não dobra.
Até que levantei a cabeça e vi que não sou trilho.
E vi que não preciso ficar nos trilhos.
Se não quero ser atropelada, melhor ficar bem longe do seu trem.
E, assim, andei, explorei e desviei.
E seu trem, meu bem, nunca mais vi.

22 de outubro de 2018

D'mim

Cuidarei de mim
E assim
Não mais sozinha
Acompanhada pela família
Sei que minha mente pode descansar
E braços abertos encontrar
A todo tempo
Em qualquer momento
E o recomeço que procuro
Ainda obscuro
Sublime
Comprime
Faz-me pensar um pouco demais
Em coisas das quais
Se eu me lembrar não vou florescer
E no meu passado oblíquo vou me perder
Mas, por enquanto, em meio à auto maldade
Escondo-me aqui à vontade
Antes que eu me perca de novo
Nas promessas do povo
De positividade
E prosperidade

21 de outubro de 2018

À ti

Tu me és uva roxa
Que eu com trouxa
Carregada em minhas vestes
A capturo entre celestes
Mas tu cais ao chão
Fugindo da minha mão
E eu canto só a observar
A uva perdida a brotar
E quando voltar
Já não vai estar
O solo úmido escondeu-te
O solo seco esmoreceu-te
E novas uvas roxas nasceram
Outras apodreceram
E as lágrimas e versos para ti
Já há muito deixaram de existir

13 de outubro de 2018

D'anjos

Sou anjo sem asa
Morador sem casa
Árvore sem folha
Cérebro sem escolha
O "não" a qualquer oportunidade
O grito de "mentira" a qualquer verdade
Sou um racho na calçada
O vermelho e a mão espalmada
E de tão contraditória
Voltei à minha história
De enxergar o meu sentir
Nas palavras que deixo fluir
Mas encontro apenas labirintos
De sentimentos que deveriam ser extintos
Pois há muitos anos me perseguem
A orientar que outros não errem
Como errei ao olhar as estrelas
Quando já disse para não vê-las
E volto à sina de um ano antigo
Enterrado no passado vencido
Como estômago sôfrego a digerir ainda
Ao ácido tortuante a imprestável comida
Pedi a mim mesma que não tragasse
E que tal comida vomitasse
Mas o refluxo tornou-se parte de mim
E, pelo menos agora, o desespero me fez assim.

22 de setembro de 2018

Primavera

Envenene-me com sua saliva
Sufoque-me com sua boca
Suje-me com seu suor
Estrangule-me com seu cabelo
E jamais deixe-me respirar
Permita-me sofrer um pouco mais
Não mais à distância, agora à proximidade
O mesmo sentimento, mas outra pessoa
Outro lugr
Outra vivência
Corte-me com suas escamas
Fure-me com seus cílios
E, assim, ao me machucar, voltei à essência
Ao que era antes de forçar positividade
O divertimento através do grotesco, do que machuca e do terror
Um divertimento assaz e incomum
Buscando no lusco-fusco a clareza que nunca esteve na luz
O fim da escuridão e da névoa, nunca foi a luz
Foi saber exercitar outros sentidos além da visão
A visão sempre enganou por fazer julgar pela aparência
Não pelas batidas do coração

23 de agosto de 2018

Nocaute

Vim brincar com a sua consciência e te deixar sem espaço ou direção
Essa é a minha missão
Você me chama de "Came Out" na esperança de me vencer
Eu te chamo de "perdedora" e assim vou te enfraquecer
Você acreditou que se levantaria
E que a todos que acreditam em você, glorificaria
Mas, meu bem, olhe só, enquanto me chama de "Came Out"
A luta acabou e você foi a nocaute

10 de março de 2017

Dedicado e promíscuo: a pequena história do cachorro morto

Vai, chute o cachorro morto. Pisa, joga na parede, joga para cima. Espreme, rala, arrebenta.
Faça o cachorro morto despedaçar-se.
Faça com que ele desintegre-se
Use todas as suas armas humanas
Use as artes
Use a miséria
Prenda-se ao que só lhe interessa
Pisoteie
Cuspa
Sangre sobre o cachorro morto
Urine
Defeque
É só mais um cachorro morto no caminho, não é?
Por que não ignorar?
Por que não pisar?
De que importa de onde veio esse animal imundo?
De que importa quem o cachorro imaginava ser?
É só um corpo pútrido e fétido.
E então, diante do último chute, amasso, estrago, cuspe, trago e chorume, eis que o cachorro morto está vivo!
Respirava baixo o suficiente para não desgastar-se com tanta gente cruel e desinteressada.
Eis que o cachorro morto não está morto!
Eis que sua hora chegou.
Alguns cachorros estão mortos para a dimensão a que pertencem, mas estão vivos para a sua incrível capacidade de sobreviver às mais crueis obras humanas.
Eis que tais cachorros mortos não estão restritos a universos limitados!
Nem à mentalidade contemporânea do imediatismo.
São pacientes, quietos e podem até parecer fora de lugar, mas estão ali, respirando e sendo muito mais fortes do que os vivos humanos.
Quanto mais chutar, mais resistente será.
Não se engane com o cachorro morto.
Não se engane com quem você acredita ser.

19 de dezembro de 2016

Esqueleto Sangrento

Destrua-me
Corroa-me
Faça-me ser
Permita-me nascer
Deixe-me ir
Não se vá tão cedo

Você ainda não sabe
Nem se preza a saber
A inumanidade da humanidade
A escuridão do amanhecer

Tudo o que você acreditava
É passado, já foi
O ideal pelo qual lutava
Era um moinho
E como o bobo Dom Quixote
Foi você lutar

Sangrou, agora apenas cabeça
Acerta e erra a cesta
Do basquete que foi a sua luta
Tão fria, ininterrupta
Esqueleto sangrento
A errar a cesta
Nem a de um ponto

Lá está você
Ainda lhe resta um pouco de carne
Ainda lhe resta o coração
Esqueleto sangrento
Joga a cabeça
Não acerta uma cesta

Esqueleto sangrento a correr
A defender
A lutar
Pelo ideal morto
E pelo que ainda acredita

Esqueleto sangrento
Ainda vive
Ainda sente
Sente sim e lamenta
Lágrimas ardentes
Crânio sedento

Esqueleto sangrento
Cabeça na mão
Ainda há um coração
Sedento
Pelo qual vale a pena lutar

Esqueleto sangrento
Olhos de raio
Voz de trovão
Esse é o caminho
A luz é você.

25 de outubro de 2016

Apenas mais um de amor

Sou narcisista, me amo, me exponho
Para mim, não para você, nem me venha com essa opinião chula
Com essa sua baixa auto estima ou seu ego inflado
Não somos uma família
Porque eu sou a definição de narcisismo
A amplitude do meu nariz é maior que a do seu entendimento, da sua ânsia de viver, do seu ego.
Perde muito quem não cultua o narcisismo, quem não se expõe e não se ama.
Passado, presente e futuro eu: é para me orgulhar sim!
Me desafiei, lutei, perdi, ganhei, chorei, tentei de novo, mas nunca desisti de ser quem sou.
E mesmo na fraqueza vindoura de tentar me adequar à realidade massiva, ainda continuei sendo eu.
Continuei de nariz em pé, sabendo que mesmo que haja um sistema, ainda tenho um cérebro e um coração. E que sistema nenhum vai definir o que faço ou deixo de fazer da minha vida!
Ainda tenho a minha personalidade, sei quem eu sou e porquê.
E quando não sei, sei bem onde devo procurar: em qualquer lugar! Só querer.
E, sem esforço, chego lá!
Sou narcisista porque amo prosa poética, não me obrigo a rimar, e estética não é, nem precisa ser o meu forte.
Os intelectuais que me perdoem: narcisismo é fundamental!

20 de setembro de 2016

Vício

Ostentação.
Quem disse que é poeta?
Quem mandou deixar de ser?
Por que queima?
Por que doi?
Há um vazio
E ressurge algo bem lá no fundo
São novas cores, ainda sem rimas
E novas rimas, agora sem cores
Brinque com os sons
Esconda-se na relva
Banhe-se no orvalho
Aceite o que lhe doi
A dor é uma luta
Constante
Irritante
Itinerante
Aceite que a vida melhora
Sua estrutura balança
E as cicatrizes fecham-se
Desaparecem na escuridão do que você costumava ser
Desapegue de tamanha rudeza no pensar
Você é humano, vivo e sentimental
Guarde seus neurônios!

3 de março de 2016

Espelho

E então, ela olha para o espelho e decide, como a libélula tatuada no centro de seu colo, ser livre e mudar de vida - conforme o significado da tatuagem de libélula. Ela vê alguém com um grande potencial, maior do que aquele que podia ser visto no espelho. Ela rasga as roupas que não pretende mais usar, coloca fogo e promete a si mesma que é a última vez.
É a última vez que o medo dos homens vai lhe atormentar. AD AETERNUM NUNCA MAIS. Sua próxima tatuagem seria o corvo, o que diz NEVERMORE (NUNCA MAIS).
E então, cantarolou em frente ao espelho a canção que escrevia em seu imaginário, a sua própria canção de libertação. Ela já não era mais uma barata, como no conto de Franz Kafka, ela era agora uma libélula. E, em breve, um corvo.

Canção da liberdade de uma ex prostituta:

Não sou espelho de prostíbulo.
Não sou quem você pensa que eu sou.
Não vou refletir o que você ousa me obrigar a refletir.
Não faço parte deste prostíbulo.
Você nasceu. Não é culpa minha. Não sou a sua mãe. Nem seu pai. Nem seu espelho.
Não me culpe se você é o prostíbulo.
Se você é útero, vulva, ovário, clitóris, vagina, ânus, bunda, seios e rosto. Onde está sua humildade?
E sua humanidade? Onde está você?
Se perdeu em seu corpo?
E o espelho? Continua no prostíbulo?
Não sou você. Meu espelho não reflete sua imagem. Nem a sua cenoura invisível. Você nem precisa saber quem eu sou.
Só precisa saber que eu não sou espelho de prostíbulo para refletir a sua imagem.
Se prepare para ser corpo, apenas corpo. E gritos. Se prepare para a baixaria.
Você também é cordas vocais e dedos afiados.
E é o reflexo no espelho do prostíbulo. E o dinheiro em seu bolso. Você bem sabe que não quer isso.
Não sou espelho de prostíbulo.

Inferno

Que venham as chamas, estou preparada!
Faça o inferno acontecer, boa sorte. Não pararei enquanto não apagá-las.
Quando não houver gás carbônico que apague, haverá minha força de vontade.
Não haverá silêncio. Haverá barulho. Muito barulho!
Não deixarei sua voz me calar!
Não deixarei suas chamas me desanimar!
Estou aqui, de pé. Estou viva. Estou pronta.
Só chegar e ver: serei eu a calar você.
Prove que estou errada. Prove o que quiser.
Você não vai me parar. Não tão cedo.
Pode vir com tudo, provoque um fogaréu. Faça seu próprio inferno!
Queime tudo o que é meu. Apenas queime!
Estou preparada. Luzes chegarão à escuridão do seu inferno! Luzes para lhe cegar!
Luzes que abaixarão a precisão de suas chamas!
Pode queimar!
Deixa queimar!

13 de fevereiro de 2016

Volte sempre.

Sou crua e fria. Peixe pequeno. Já quis ser baleia, já quis ser tubarão. Já pensei ser baiacu.
Pensei inclusive que ainda nadava, mas já fui pescada. 
Virei sushi. E qualquer outra comida que se come crua.
Tempero agridoce sou eu e não deixo de ser. Carne crua. Poderia estar frita, cozida, assada, grelhada, gratinada. Ainda estou crua, mas temperada.
Saboreie devagar. Odeie o quanto quiser. Cuspa. Deseje nunca mais experimentar. O gosto em sua boca vai ficar, ah se vai, e você sempre vai se lembrar do agridoce. 
Enjoativo como excesso de mel. 
Desce em sua garganta, como se fosse lhe asfixiar e retirar toda a água, como sal puro. 
Você foge, mas sempre volta. Você esquece o sabor, mas não a sensação.
Sou crua e agridoce. Meu restaurante ainda não fechou. Volte sempre.

30 de janeiro de 2016

Suicídio Verbal.

Estou aqui, meu bem, só para provar que posso sim. Posso tudo o que quero. Me disseram que emoções não vendem. E que tudo tem que gerar renda, pois preciso de dinheiro para tudo.
Preciso sim. Eu sei que preciso. Preciso de tanta coisa, não é mesmo?
E uma das coisas que mais preciso são palavras. Que me comovam, me machuquem, me curem, me movam, me tirem daqui, para ontem, entendeu? Sempre para ontem.
Se vai vender ou dar audiência? Quem liga?
Palavras voam, vêm e vão. Preveem e enxergam além. Sabem do que preciso e do que vou precisar.
Ah, meu bem, se você soubesse quantas vezes recorri às minhas próprias palavras para lidar com as emoções ruins. A gente sempre caçoa delas, para parecerem menos importantes, mas sempre chega a hora da revanche, e lá vem elas com tudo para nos vencer.
E resta às palavras, ser apenas palavras, enquanto os sentimentos parecem bem mais importantes no momento.
Ah, meu bem, se soubesse o quanto venho e vou aqui ou em outros lugares, em buscas das palavras que saibam me descrever, afinal, nem sempre eu mesma sou capaz de entender.
Ah, se você soubesse o quanto machuca escrever em primeira pessoa, é um suicídio verbal, é o que precisa ser e é o que alivia.
Ah, meu bem, se você caísse em si e me deixasse em paz...

22 de outubro de 2015

O que eu quero?

Preciso de um hobbie que preencha minhas angústias, minhas dúvidas, minha mania de reclamar.
Que me permita sair de mim, por uns segundos ou por uma vida, pois me conhecendo melhor, posso ver aonde eu deveria estar.
Quero um hobbie perfeito que me permita migrar para outras convicções falidas, só para descansar das antigas que já cansaram até demais. Aliás, todas as convicções são falidas, não sei porque me preocupo tanto com isso.
Quero uma vida imperfeita, sem nenhuma convicção, quero todos os erros e quero que tudo dê errado. Afinal, foi assim que as palavras me encontraram e me permitiram descobrir quem eu sou e porque estou aqui.

15 de outubro de 2015

Engula o meu vômito

Quero pegar seu cérebro e torcer até não haver uma única gota de sangue, muito menos de preconceito.
Quero pegar o seu corpo e distorcer, até que todos os "defeitos" estejam nele e você sinta na pele tudo o que andou dizendo por ai sobre as pessoas.
Quero pegar o seu cérebro de novo, e, como em um quebra-cabeças, tirar algumas peças, só para ver como vai ficar a sua vida sem algumas funções.
E o seu rosto, ah o seu rosto, esse eu quero desfigurar, com todo gosto, para que você sofra tudo o que fez outros sofrerem por não serem como você.
Seus olhos, quero abri-los, para que você veja tudo o que quero lhe mostrar e toda a verdade. Sim, tudo o que você se recusa a ver.
Alimentarei sua imaginação com verdades. Não, você não vai gostar e é por isso que farei.
Afogarei sua razão no seu emocional, com todas as dúvidas que eu puder reunir, e inseguranças, colocarei todas! 
Colocarei você no meio de pessoas que não querem lhe entender e muito menos respeitar. 
Colocarei você na linha de fogo das frustrações e dos medos.
Você se esconderá em um poço escuro, de onde nunca mais sairá. E será vítima das suas escolhas.
Será vítima do coitadismo, do comodismo. E nunca sairá da sua zona de conforto, porque é frio lá fora e as pessoas são idiotas.
Será juiz das causas pessoais alheias e não conseguirá viver por causa disso. 
Será juiz de si próprio e não conseguirá sair de casa, porque você não é apto o suficiente.
Será juiz do mundo, enquanto a vida acontece lá fora. 
Será vítima de tudo. Inclusive das minhas palavras.
Hoje eu lhe julgo culpado. Amanhã serei eu a julgada. 
Mas e daí, mundo? Hoje resolvi lhe descrever como um ser vivo e maltratar até cansar.
E desta vez consegui lhe entender: maltratar não cansa. É tão prazeroso que todo o seu peso, caro mundo, me faz parar e refletir: como o inferno é bom!

31 de agosto de 2015

Uma velha

Velha demais para sonhos, além daqueles que vêm na hora de dormir. Velha demais para esperanças vindouras. Simplesmente velha demais.
Velha demais para lamentar o que fiz de errado. E para não valorizar o que fiz de certo. E para pensar no que é certo ou errado.
A idade ainda não me trouxe cabelos brancos. Me trouxe angústias e vontade de passado. Há coisas que ficaram por lá. E que não adianta eu querer que voltem. Passou. O que foi perdido, não vai voltar.
Velha demais para vaidades. E palavras. E desejo de glória. Esqueci o sucesso e o desejo de fama. Dinheiro costumava ser o mais importante, mas agora já não o é.
Velha demais para aprender. E para me esforçar. E viver.
Velha demais para músicas.
Velha demais para sentimentos.
Velha demais para meu coração.
Velha, apenas velha.

24 de julho de 2015

Amnésia

Extremamente pessoal e sentimental isso vai soar. É um recado para mim mesma desta vez. Espero que eu não esqueça alguns pontos essenciais.
Bem vinda ao risco não pensado, querida eu mesma. Bem vinda à Terra da Incerteza. Bem vinda para ser otimista, afinal, pessimista foi o que escolhi ser por muito tempo.
Quando adentrar a Floresta, não esqueça a Ilha, o Necrotério, a Estrada, o Morro e todas as viagens reais e emocionais aqui vividas. E se decidir voltar, não esqueça o Inferno Moral. Tente não esquecer a Sunshine Season. Nem a Came Out Season. Muito menos a Dark Side Season. Hoje é dia de lembrar, mas e amanhã?
Cuidado. Não espere o pior de si mesma. Vá com medo, mas vá. Caminhe devagar, mas caminhe. Hoje é dia de celebrar as pequenas batalhas vencidas e as perdidas também, afinal, todas são parte de sua história. Hoje. Tente hoje, pois amanhã não se sabe. Você se lembrará do que viveu aqui? Você se lembrará de mim?
Sim, de mim. Aquela voz que te impele a continuar e a aceitar os desafios. A voz do próprio desafio. A sua voz. Lembre de mim no escuro, no frio, na neblina, no nefasto, no fantástico, no claro, no amarelo, no vermelho e no preto. Lembre de mim sempre. Lembre de mim quando suas mãos não mais palpitarem. E quando você não mais fugir de nada.
Lembre de não fugir de mim. Sempre estarei aqui por você. Não deixe o medo da amnésia lhe consumir. Sei que você volta mais tarde ou quem sabe amanhã. Você vai voltar. Eu sei que vai.